HISTÓRIA DO BONSAI NO BRASIL

Cambui – Myrciaria tenella
Cereja – Eugenia mattossi
Calliandra brevipes


Tenho notado que os leitores, sai mês, entra mês, e  o post sobre a história do bonsai está sempre em primeiro lugar na preferência dos leitores. Assim sendo resolvi seguir um pouco a tendência e colocar outros posts sobre o tema. Até porque, o bem, o bom e o belo  são o escopo das publicações neste blog. Então vamos ao post:


HISTÓRIA DO BONSAI NO BRASIL
A ideia de que um bonsai tenha sido trazido para o Brasil há quase 200 anos é absolutamente fascinante, mas trata-se apenas de um exercício de imaginação. Isso seria possível, entretanto. 


Em 1808, D. João VI chegava ao Brasil e criava o Horto Real ( hoje Jardim Botânico do rio de Janeiro) com o intuito de aclimatar e cultivar espécies produtoras de especiarias das Índias Orientais. 

d. João VI era um amante das plantas e, entre tantos exemplares trazidos de várias  partes do mundo, poderia estar uma belíssima curiosidade vinda do Japão, mas isso não ocorreu.


Além de não existirem registros a respeito, durante esse  período o Japão se encontrava totalmente fechado aos estrangeiros. Embora os portugueses tenham sido os primeiros mercadores europeus a chegar ao Japão, em 1542 – ainda no período das árvores envasadas – foram os espanhóis, ingleses e holandeses que mais se estabeleceram lá. 


De qualquer maneira, cem anos mais tarde o Japão se fecharia totalmente aos estrangeiros e assim permaneceria até 1853. A presença isolada de um exemplar de forma alguma poderia significar o iinício do cultivo do bonsai  no Brasil.


A difusão do cultivo do bonsai  se deu por duas correntes distintas de influência em tempos diferentes. A  primeira veio diretamente do Japão, no início do século XX.  A segunda remonta ao final da década de 50, tendo adquirido grande intensidade na década de 80, vinda dos Estados  Unidos.


A história do bonsai no Brasil  começa, sem duvida alguma, com a imigração  japonesa a partir de 1909. Teriam vindo, já no primeiro navio, o Kasatu Maru, um ou  mais exemplares de bonsai? Provavelmente.


Apesar de o Museu da Imigração Japonesa não possuir nenhuma informação relativa à vinda de bonsais ou ávores de espécies japonesas, é do conhecimento de todos que  isso ocorreu. Os imigrantes, chegando a um lugar longínquo e desconhecido, trouxeram consigo pertences de grande estima, essencialmente japoneses, que os fizessem lembrar de sua terra natal.


Acredita-se que bonsais, mudas de bordos, juníperos, pinheiros- negros, tenham acompanhado os primeiros imigrantes japoneses no Brasil. Os bonsais de espécies japonesas  com 65 anos ou mais, são praticamente provas vivas deste fato. 


É o caso de alguns exemplares dos viveiros do Sr. Alfredo Otsu, do Sr. Kensaburo Jadano, do Sr. Hideshigue Ono e do Sr. Osamu Hidaka, que germinaram apenas alguns anos após a chegada do Kasatu Maru.


Até mais valioso para a difusão do bonsai do que exemplares que possam ter vindo com os imigrantes foi o “know-how” do cultivo e a filosofia do bonsai que eles trouxeram consigo. O bonsai  passou, então, a ser praticado por alguns  imigrantes e esse conhecimentofoi trnasmitido de geração a geração.


Contudo, essa prática se restringia apenas a alguns imigrantes e seus filhos. Bonsais não seriam vistos nas casas de brasileiros não-descendentes de japoneses nas próximas seis décadas. 


Durante esse tempo, a prática do bonsai se difundiu lentamente entre os imigrantes e, no Brasil, não seria possível sem a sua comercialização e sem  a existência de extensas coleções como as das famílias Hadano, Hidaka e Otsu, que pudessem suprir o mercado até a aparição dos primeiros exemplares cultivados desde o início, com o intuito de serem vendidos.


A princípio, pode parecer mais lógico imaginar que a difusão do cultivo do bonsai tenha  se dado unicamente a partir das ruas do Bairro da Liberdade, ou no contato das pessoas com imigrantes ou descendentes destes, mas não seria assim que o interesse por onsai iria atingir um grande número de pessoas. 


Esse interesse se deve à ifluênca cultural norte-americana. Nos Estados unidos começou no final da década de 40 e durante a década de 50 essa “curiosidade” foi divulgada em algumas revistas. Uma delas, a “Reader’s Digest”, possuía uma versão brasileira: a Seleções. Um texto publicado na “Reader’s Digest” foi traduzido e publicado aqui, ainda na mesma década.


Embora o ario tivesse uma abordagem superficial, resumida a poucas linhas, a Seleções era uma revista lida por muitas pessoas, de maneira que isso contribuiu significativamente para que elas soubessem da existência do  bonsai.


Essa revista, que era nada além de pura propaganda do  way of life norte-americano, foi, este caso, benéfica. Enquanto  nos Estados Unidos o entusiasmo  em relação ao bonsai faria a sua prática crescer intensamente nas duas décadas seguintes, no Brasil ela ainda estaria adormecida. Foi apenas entre 1976 e 198 que bonsais passaram a ser comercializados  regularmente, mas sua comercialização e divulgação ficavam restritas à feira de artesanato do Bairro da Liberdade.


Nos anos 80 os bonsais passaram definitivamente a ser conhecidos pelos brasileiros. A divulgação do bonsai via influência cultural norte-americana foi grande. Os filmes Karate Kid I e III fizeram uma verdadeira apologia  a essa arte, o que  também foi mostrada mais modestamente em Blade Runner – O Caçador de Androides, um dos filmes mais cultuados da década de 80, depois exibidos e reprisados na TV, sendo assistidos por milhões de pessoas.


O  bonsai estava, então, definitivamente conhecido pelos brasileiros e passava a ser considerado cult.  É curioso que, enquanto na Europa e Estados unidos os interessados por bonsai têm em média 45 anos, aqui  no Brasil, seus aficionados são, na maioria, jovens, entre 20 e 35 anos.


Sendo bonsai algo cult não demorou muito para que fosse visto em comerciais e até mesmo em novelas de TV. Atualmente, no Brasil, apesar de muita gente já ter uma boa noção do que seja bonsai, sua pratica ainda é pequena. Os cultivadores comerciais que se dedicam exclulsivamente ao seu cultivo podem ser contados nos dedos da mão. e sua prática fora do Estado de São Paulo quese inexiste.


O interesse pelo bonsai no Brasil tem crescido intensamente nos últimos  10 anos e espera-se que em 20 anos o Brasil possa ter destaque no cenário internacional, pois além de acreditarmos no talento e na criatividade dos nossos cultivadoresk,  o país oferece uma variedade enorme de novas espécies que podem ser utilizadas e certamente um grande número de outras naturalmente miniaturizadas para serem coletadas.


Fonte: 

Livro: Cultivando Bonsai no Brasil 

Autor: Fábio Antakly Noronha 4a. ed. São Paulo, Escrituras editora, 2003 pp. 17 a 19





Fonte das fotos: http://www.atelierdobonsai.com.br/ref23.html

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